
Digamos que, a situação lhe favorecia. Seios avantajados, pernas torneadas e olhos cor de mel lhe davam todo o crédito para fazer a pergunta mais imbecil possível.
Aquelas roupas sumárias comprometiam qualquer resposta ríspida de minha parte. A moça parecia estar vindo de uma gostosa caminhada no parque. Lembro-me daquele sorriso angelical, que me tirou o sono por dias - cuidado com os sorrisos angelicais, costumam ter efeitos catastróficos - aquela boquinha cheia de dentes, perfeitinha. Porém, a pergunta que me foi dirigida, não condizia com o momento.
Veraozão, quarta-feira à noite, cidadezinha calma, calorzinho agradável e propício para tirar a poeira da garganta com uma bebida refrescante.
Flutuei até ela para saudá-la. Três beijinhos demorados na face - gaúcho tem o costume de dar três beijinhos, não sei o motivo, mas prezo pela beleza das mulheres gaúchas - foi isso que fiz, três beijinhos. Smac! Smac! Smac! bem demorado... Sua delicada mão esquerda no meu ombro, e minha insinuada mão direita pousada em sua desenhada cinturinha. Pode parecer pouco, mas uma leve apertadinha na cintura pode ser o início de um casamento, ou o fim.
O certo é que nem mesmo um homem casado responderia a pergunta dela. Talvez se saísse melhor devido a experiência, mas não tanto. A indignação devido ao questionamento seria a mesma, independente do estado civil.
Tudo o que eu não queria estava acontecendo, salvo o monumento em minha frente, digo, a mulher. Ela foi genuina, pois sorriu pra mim - sou adepto à mulheres sorridentes e com glúteos bem salientes é claro - um sorriso é tudo que um homem deseja de uma mulher. Mas não seguido de uma pergunta difícil.
Não soube lhe dar uma explicação. Dei de ombros, e devolvi o sorriso com cara de bobo. Sim! cara de bobo, pois já viu alguma vez homem com sorriso angelical? Ela ficou insatisfeita com a resposta, ou melhor, com a falta de... Deu meia volta e me saudou com mais um sorriso daqueles, mas daqueles...
Lembro-me do encontro como se fosse hoje, e dos sorrisos principalmente. O assunto foi futebol. Na verdade pouco assunto, muitos sorrisos, e a pergunta idiota. "Qual é a graça que vocês homens acham em correr atrás de uma bola?". Ainda penso que poderia ter mudado o assunto naquela noite e continuado ao lado dela, mas aí teria perdido o horário do jogo.
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